Entrevista de Mestre Obashanan para a Revista Raiz

Mestre Obashanan fala um pouco de sua trajetória e da Tradição do Tambor, o culto a Ayan.

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J. B. Carvalho – O rei da Macumba – 1978

jb rei

J. B. Carvalho – O rei da Macumba – C.S.(Som Livre/1978) 1. Estrela Matutina; 2. Mamãe Oxum; 3. Sua espada Reluz; 4. Suará;

Este raríssimo compacto simples é o canto do cisne de J.B.. Seu último trabalho. Surpreendentemente sairia pela Som Livre, gravadora global, conhecidíssima nos anos 70 por “arquivar” artistas que não quisessem entrar nos ditames de seu esquema de mão de ferro (certamente este compacto deve ter sido extraído de um LP inteirinho que não foi lançado, e que deve estar lá nos arquivos da gravadora).
Com arranjos do lendário maestro Waltel Branco e com a produção do”Disco-man” Guto Graça Melo, J.B. de Carvalho foi um resgate interessante, um mito quase desconhecido numa época de crescimento da tecnologia e modernidade, onde praticamente tudo era dominado pela disco-music. Recolocado como “Rei” de uma “macumba” que jamais foi compreendida (até mesmo por ele) num país de preconceitos com a própria origem, J.B. neste registro é ao mesmo tempo triste, quase patético – por ser tratado como mero objeto na redescoberta de um mercado voraz que visava, na verdade produções que pudessem competir com a então rainha Clara Nunes e paradoxalmente vitorioso: sobrevivente de uma manifestação musical que deu origem a praticamente tudo que se conhece como música brasileira, seu reinado termina com um compacto onde conta com arranjos e produção de primeiro mundo.
Um tratamento digno (embora tardio) foi dado a este artista que apesar de algumas distorções em sua carreira, com relação à manifestação pura da doutrina da Umbanda em suas várias manifestações, foi – talvez com as óbvias exceções de Clara Nunes e Clementina – seu maior divulgador por quase quatro décadas, entre a massa anônima de prosélitos de todo o Brasil.
O Rei da Macumba despede-se de braços abertos de uma nação que jamais prestou-lhe reverência, ou sequer reconheceu-lhe a coroa. Para o bem, ou para o mal, Xangô saberá pesar sua importância na história da Música e da Umbanda do Brasil.

Para ouvir a faixa 1, “Estrela Matutina”, clique abaixo:

J.B. de Carvalho Apresenta São Jorge, o rei do terreiro – 1970

J.B. de Carvalho Apresenta São Jorge o rei do terreiro – LP – (Continental – 1970) 1. Beira Mar; 2. Ê-RÊ-RÊ; 3. Caboclo da Cachoeira; 4. Ogum Megê meu Pai; 5. Oxumarê; 6. Cangira; 7. São Benedito; 8. Tranca Ruas; 9. Cabocla Jurema; 10. Congo-ê; 11. Dia das Crianças; 12. Ponto de aniversário (Cosme e Damião);

Neste disco, J.B. de Carvalho gravou alguns dos pontos mais conhecidos do Brasil, colocando-se como autor dos mesmos. A percussão conta com atabaques, congas, agogôs, afuxés e bateria. J.B. regravou o ponto do Caboclo 7 Flechas várias vezes, talvez visando uma melhor sonoridade ou adaptar-se a novos tempos. O disco data de 1970, mas provavelmente as gravações são dos anos 50 e foram reeditadas.

Para ouvir a faixa 9, “Cabocla Jurema”, clique abaixo:

J.B. de Carvalho – anos 30/40/50

J.B. de CarvalhoLP – K7 – (A Universal – gravações dos anos 40/50 reeditadas nos anos 70) – 1.Ponto de babalaô; 2.Ponto de Congo; 3.Ponto de Iansã; 4.Pau Guiné; 5.Inaina Mocibá; 6.Ogun Maytá; 7. Pomba Gire; 8. Exu Tranca Ruas; 9. Ogum Megê; 10. Doum e Damião; 11. Ponto de Pomba Gira; 12. Hino a Iansã;

Este é um disco/coletânea que exemplifica muito bem o que J.B. produziu no ápice de sua carreira como cantor umbandista; os arranjos dos instrumentos são muito bem cuidados, os corais são afinados ao estilo dos grandes ícones da época de ouro do rádio, a ambiência e mixagem lembram muito gravações de Luiz Gonzaga, Orlando Silva e outros, quase tudo dos anos 30/40/50. Um disco muito bom…

Para ouvir a faixa 3, “Ponto de Iansã”, clique abaixo:

J.B. de Carvalho – Mensagem – anos 50

 

J.B. de Carvalho – MensagemLP (Musicolor/Discos Continental – 1975- Originalmente lançado nos anos 50) – 1. Exu Rei; 2. Viva as almas; 3. Rainha dos ventos; 4. Caboclo Viramundo; 5. Lá no Maytá; 6. Eu vi chover Oxossi; 7. Mensagem; 8. Cantiga de santo; 9. O Jacutá é seu; 10. Pedindo Licença; 11. São Cosme e São Damião; 12. Rei da Jurema;

 Nesse disco J. B. de Carvalho e seu grupo trazem na maior parte composições próprias (pois era hábito do cantor apropriar-se de pontos de raiz e colocar-se como o autor dos mesmos), com exceção de “Eu vi chover Oxossi”, que seria regravado mais tarde por Ruy Maurity, o que despertou os ciúmes de J.B., que a época protestou (declarando-se – injustamente – autor deste ponto), nos jornais e revistas. É um disco muito bem produzido e gravado, com um coral afinadíssimo colorindo os fundos, característicos da época (anos 50/60), lembram muito o posterior grupo Os Tincoãs. Na faixa Mensagem, J.B. surge como uma espécie de Messias, salvador do mundo. Tinha um senso de humor equilibrado com uma seriedade que o faz valer a pena. A parte rítmica conta com um atabaque, um agogô e um Afuxé, da orquestra tradicional de terreiro, completado por surdões, cuícas e outros instrumentos de samba. Por serem muito datados, os arranjos podem soar estranhos aos mais novos, mas alguns minutos de audição já resolvem o problema e revelam um disco agradável e bonito.

Para ouvir a faixa 6, “Eu vi chover Oxossi”, clique abaixo:

Oxossi Rei da Mata – 1979

Oxossi Rei da Mata(LP/Cáritas/Luzes – 1979) 01 – Quimbanda, quimbanda/raiz da Jurema/No centro da mata virgem; 02 – Gira Gira; 03 – Ele é Caboclo; 04 – No alto da serra; 05 – caboclo Roxo; 06 – Ele é Demoragy; 07 – Ela vem de Longe; 08 – Estrela Dalva é sua guia; 09 – Na sua aldeia tem tupiniquim; 10 – Sereno que cai; 11 – Seu irmão é flor do dia; 12 – Galo cantou na serra; 13 – Ubirajara vai embora;

Produção: Jairo Rodrigues; Ogan Ulisses Agi Akaissu; Disco interessante com pontos de raiz adaptados a uma linguagem radiofônica da época; Conhecemos os templo de onde o ogã Ulisses surgiu e as pessoas que o conheceram. Os pontos, no terreiro, ainda são cantados exatamente da mesma forma do disco, com exceção do excesso de produção, que pasteurizou um pouco a interpretação de Aji Akaissu. Mas mesmo assim, este é um clássico absoluto da Umbanda.

Para ouvir a faixa 03, “Ele é Caboclo”, clique abaixo:

Ary Lobo – Eu vou prá Lua – 196?

Ary Lobo – Eu vou pra lua – Compacto duplo – RCA Victor – Prov. 1960

01.Eu vou pra lua (Luiz de França – Ary Lobo) Baião; 02.Castigo da chuva (Antonio Soares) Baião; 03.Saravá Cosme e Damião (Anisio Nazario – Nelinho) Baião; 04.Rojão nacional (Rosil Cavalcante);

 

 Mais um disco de Ary Lobo, esse grande cantor de nosso baiões. Esse é um compacto raríssimo que possui uma curiosidade: apesar de ter sido feito para tocar em 45 RPM, colocaram um adaptador no meio dele, para ser tocado em 33 RPM. Bem, curtam o som…

Para ouvir a faixa 03, “Saravá, Cosme e Damião”, clique abaixo:

Fernando Mendes – Menina do Subúrbio – 1977

 

Fernando Mendes – Menina do Subúrbio – LP – EMI – 1977

 

1.Menina do Subúrbio; 2.Amor imortal; 3.De que vale o céu; 4.Debaixo da ponte; 5.Impossível viver sem você; 6.Festa de arromba; 7.Jurema, Jureminha; 8.Lua gorda; 9.Naná; 10.O preço da ilusão; 11.Quero ser escravo seu; 12.Tadinha; 13.Você só me faz sofrer; 14.Vou trocar você por mim;
O compositor do grande hit dos anos 70, a música “Cadeira de Rodas”, que vendeu mais de um milhão de cópias era, como quase todo artista dos anos 70, um umbandista. Sendo assim, a maior parte dos cantores do período faziam suas homenagens às divindades de sua devoção em forma de músicas, ou mesmo transformando pontos de terreiro – a exemplo de Rui Maurity – em grandes sucessos fonográficos. É o caso aqui. Fernando Mendes faz um pout-pourri belíssimos de vários pontos muito conhecidos. A banda que o acompanha é excelente e o cantor que ficou estigmatizado como cantor brega e de mal gosto durante anos canta muito bem , chegando a emocionar em alguns momentos. Pena que não enveredou mais pelo estilo. Seria respeitadíssimo no meio.

Para ouvir a faixa Jurema, Jureminha, clique abaixo:

O primeiro hino da Umbanda – Hino Umbandista

Hino Umbandista (Orquestra Radamés Gnattali) – 78 RPM – Jrijé – 1940


Disco histórico, faixa única, de rotação 78, provavelmente da década de 1940/50, intitulado: “Hino Umbandista” de autoria de: Iris Fossati Guimarães e Jerson D´Oliveira, orquestrado pelo afamado maestro Radamés Gnattali. Esse disco é uma raridade, pelo fato de que dispõe de uma música intitulada “Hino Umbandista”, anterior ao hino oficial que foi formulado pelo senhor J. M. Alves, na década de 60. Não encontramos absolutamente ninguém que o conhecesse, bem como nas pesquisas realizadas na Net, também não encontramos nenhuma referencia. Inclusive, este disco, até então, era desconhecido pela própria família da maestro, não fazendo parte do acervo histórico dedicado a ele. Agradecemos a nosso irmão Pai Juruá, pela conservação e descoberta dessa raridade!

“Avante, avante, umbandistas Sol do nosso porvir,

Oxalá nos aponta o caminho que devemos seguir,

Sempre avante lutando,

Para o bem da humanidade,
Sob a luz desse ideal,
Nossa lei será a caridade,
A nossa fé, a nossa luta,
Será salvar a todo irmão,
Pois só assim cumpriremos,
Nossa sagrada missão,
Seja na Terra ou no Céu,
Estaremos a servir,
A legião umbandista,

Do nosso imenso Brasil”.
Clique abaixo para ouvir o primeiro Hino da Umbanda!

Rita Ribeiro – Tecnomacumba – A tempo e ao vivo – CD/DVD

Rita Ribeiro – Tecnomacumba – A tempo e ao vivo – CD/DVD – ManaXica Produções/Canal Brasil/Biscoito Fino/Co-produção como Canal Brasil.
Não temos palavras para descrever a maravilha que é esse trabalho. Rita Ribeiro conseguiu trazer para o moderno, com respeito, com fé e com energia, os quase 100 anos de música de terreiro no Brasil, executando com maestria clássicos antigos – e mais recentes – do gênero, interpretando temas conhecidos (embora quase esquecidos) como Xangô o Vencedor (Ruy Maurity), Oração Ao Tempo (Caetano Veloso), Cavaleiro de Aruanda (sucesso com Ronnie Von), Moça Bonita (lançado por Ângela Maria) e É D’Oxum (Gerônimo), inserindo com muito bom gosto, pontos cantados dentro das músicas, perfazendo uma amarração perfeita do gosto popular com a força da religiosidade dos prosélitos dos cultos afro-brasileiros. E a banda é maravilhosa!
Rita consegue, como poucos, unir o rock em sua essência mais tribal à emoção de cantigas rituais tão antigas como o mundo. Mas não é só isso, tem baião, samba e tambor de crioula!
Para quem não conhece, conheça! Para quem já conhece, orgulhe-se: Rita Ribeiro faz com dedicação o que muita gente de dentro do santo tem vergonha de fazer – assumir sua religiosidade de corpo e alma em seu trabalho! E salve a Cabocla Jurema!
Para ter uma ideia do poder da moça, vejam o vídeo abaixo. Maria Bethânia (embora já esteja no patamar das deusas da música) se espanta com a força do público cantando o ponto de Matamba (Iansã). E é lindo constatar que o Rock’n’Roll não se conflita com o ponto de Angola, afinal de contas, ele também é africano!
É isso aí Rita! MAKUMBA NELES!!